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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cultura em 2013 deve ser melhor do que em 2011


Texto de opinião sobre a cultura em Guimarães do eleito municipal Frederico Pinheiro. Esta sexta-feira realiza-se uma Assembleia Municipal Extraordinária para se debater a Capital Europeia da Cultura 2012, que será realizada em Guimarães.

Guimarães vai hospedar a festa da cultura europeia, em 2012. A actividade cultural é fundamental na formação dos indivíduos, sendo uma fase essencial no processo de transformação e de emancipação da sociedade. A cultura é um conceito abstracto, não é feita de betão.

Guimarães tem uma rede de equipamentos culturais espalhada por todo o concelho, mas esta é apenas uma rede de edifícios à qual não corresponde qualquer visão política estruturada para o sector cultural ou mesmo qualquer investimento. Edifícios não significam acesso a conteúdos artísticos e culturais, e esse é o ponto essencial.

A política para 2012 deve assentar na descentralização das actividades e na consequente promoção de eventos culturais nas freguesias, sem prejuízo da relevância que a cidade tem e do integral aproveitamento das infra-estruturas culturais já construídas.

O papel da autarquia deve ser redistribuir os diversos espaços existentes pelas actividades a serem realizadas, em 2012. O que está em causa é uma verdadeira política cultural, permanente e formadora, e não apenas um evento pontual.
Por outro lado, os vimaranenses devem ser integrados nas actividades. Contámos com centenas de associações culturais, grupos de teatro, bandas musicais, escritores, realizadores, cantores, compositores e actores, entre outros. Este é o nosso maior trunfo. Todo este capital humano deve ser aproveitado e lançado para um dos maiores palcos da cultura a nível mundial. Deve existir um plano de aquisições de espectáculos locais, de modo a estimular e a incentivar a produção artística local.

Formação é a chave para o sucesso

Vivemos num dos concelhos mais jovens a nível nacional e até mesmo a nível europeu. Devem ser criadas condições para todos os habitantes terem acesso à formação artística, se assim o desejarem, independentemente da sua condição económica e social. Devem estar ao dispor da população, espaços culturais, onde seja facultada a formação artística. A cultura não deve ser vista como despesa, mas sim como um investimento na qualidade de vida das populações e até mesmo (porque não) um investimento económico a médio-longo prazo.

A formação deve ser dada por professores pagos pelo Estado e os instrumentos facultados aos mais necessitados. Existem diversos grupos culturais em Guimarães que não têm mesmo um espaço para ensaiarem. O dinheiro gasto na aquisição de terrenos e na construção de mais prédios, dá para pagar a formação de milhares de vimaranenses durante vários anos.

Cultura para todos

Ninguém deve ser impedido de assistir a um espectáculo por falta de recursos económicos. Impõe-se a criação de um cartão social para a cultura, que permita o acesso gratuito a todos os espectáculos, a todos aqueles que não reúnem condições financeiras para comprarem as entradas. A capital europeia da cultura em Guimarães deve ser um exemplo de democracia e de igualdade para todo o mundo.

Os museus e locais de interesse público, como o Paço dos Duques de Bragança, devem abrir as suas portas, gratuitamente. Só dando acesso à cultura a todos os indivíduos, podemos evoluir como sociedade.

A cultura não é um negócio. O objectivo em 2012 deve ser criar um espaço de excelência, permanente, para a actividade cultural em Guimarães. Não apenas em 2012.

1 comentário:

Teresa Fernandes - jornalista - Fortaleza (CE) - Brasil disse...

Infelizmente, caro Frederico, esse é um problema que atravessa continentes... Muitos espetáculos maravilhosos deixam de ser transmitidos aqui no Brasil por falta de recursos.
Boa parte do público por desinformação ou ausência de condições financeiras acaba se contentando com os programas repetitivos e engessados da televisão brasileira...
Seria tão bom se os políticos do mundo utilizassem mais tempo de seus debates para discutir estratégias de fomento à cultura. Em lugar nenhum fazer política devia ser profissão... O certo era que fosse vocação...
Abraços e parabéns pelo artigo.